Psicólogos e a palavra: o paradoxo de quem ajuda os outros a falar mas nunca treina a própria voz

Ajudas os outros a encontrar as palavras certas. Mas quando tens de falar para uma sala cheia — como te sentes?

Ajudas os outros a encontrar as palavras certas. Mas quando tens de falar para uma sala cheia — como te sentes?

Existe um paradoxo fascinante na profissão de psicólogo ou terapeuta. São os profissionais que mais compreendem o poder da palavra. Que sabem, melhor do que ninguém, como a comunicação pode curar ou ferir, como a linguagem molda a experiência, como o que dizemos e como o dizemos transforma a forma como nos sentimos e como os outros nos percebem.

E são, frequentemente, profissionais que nunca treinaram a comunicação pública de forma deliberada. Que se sentem perfeitamente seguros num gabinete, num encontro de dois, mas que ficam desconfortáveis numa sala de conferências, numa apresentação a colegas, numa palestra aberta ao público.

A diferença entre comunicação terapêutica e comunicação pública

A comunicação em contexto terapêutico é uma competência altamente desenvolvida nos psicólogos. Escuta ativa, silêncio terapêutico, reflexão, reformulação, gestão das emoções em sessão — tudo isto é trabalhado de forma extensiva na formação e na supervisão clínica.

Mas a comunicação pública — falar para uma audiência, estruturar um argumento, gerir o nervosismo em palco, prender a atenção de um grupo — é uma competência diferente. E que raramente recebe atenção equivalente.

A diferença é profunda: na consulta, há uma estrutura relacional clara, há um contexto de confiança estabelecido, há um ritmo que o paciente co-cria. Numa palestra ou apresentação, és tu a criar o contexto, o ritmo, a estrutura — e a gerir a atenção de pessoas que não escolheram estar ali especificamente contigo.

Onde a comunicação pública importa na carreira de um psicólogo

Cada vez mais, os psicólogos são chamados a exercer funções que vão além do gabinete. E em muitas dessas funções, a comunicação pública é central:

Formações e workshops. Programas de gestão de stress, comunicação não-violenta, regulação emocional, parentalidade positiva — há uma procura crescente por formações conduzidas por psicólogos. A qualidade da formação depende muito da capacidade de comunicar de forma clara, envolvente e adaptada ao grupo.

Conferências e comunicações científicas. A disseminação de conhecimento exige que os psicólogos falem em público para pares e para públicos mais amplos. Uma boa investigação mal apresentada perde impacto.

Media e comunicação de saúde mental. A presença de psicólogos nos media — em entrevistas, podcasts, artigos, vídeos — é fundamental para a literacia em saúde mental da população. Comunicar conceitos complexos de forma acessível sem os trivializar é uma arte que poucos dominam.

Supervisão e formação de outros profissionais. Psicólogos que assumem funções de supervisão, de docência ou de consultoria precisam de comunicar de forma eficaz para grupos — não apenas para indivíduos em contexto terapêutico.

O que os Toastmasters oferecem a psicólogos e terapeutas

O Algarve Toastmasters Club reúne-se todas as quartas-feiras em Faro. Para um psicólogo ou terapeuta, a experiência tem uma dimensão quase reflexiva: és colocado na posição de quem aprende a comunicar — o que, por si só, pode ser uma experiência reveladora sobre o que os teus pacientes sentem quando enfrentam desafios de comunicação.

Estrutura de discurso para conteúdos complexos. Como apresentar um modelo teórico de psicologia de forma que seja compreensível para um público não especialista? Como tornar a investigação acessível? Como fazer com que uma audiência sinta que o que estás a dizer é relevante para a sua vida? Estas são competências que se desenvolvem nos Toastmasters.

Gestão do nervosismo em público. Mesmo os profissionais de saúde mental mais experientes podem sentir ansiedade em apresentações públicas. Nos Toastmasters, trabalha-se exactamente a gestão desta ansiedade — com uma abordagem de exposição gradual e progressiva, num ambiente de apoio genuíno.

Voz e presença. A dimensão vocal da comunicação — tom, ritmo, pausa, intensidade — é algo que os psicólogos trabalham com os pacientes mas raramente desenvolvem na própria voz. As sessões de Toastmasters incluem feedback específico sobre estes elementos.

Improviso e resposta a perguntas difíceis. O exercício de Table Topics — responder a questões inesperadas em tempo real — prepara para as situações em que um participante numa formação ou um jornalista faz uma pergunta que desestabiliza. A segurança para responder com clareza e sem defensividade é uma competência que beneficia qualquer psicólogo em funções públicas.

A palavra como instrumento — também a tua

Sabes melhor do que a maioria o poder das palavras. Sabes como uma frase dita da forma errada pode fechar alguém. Sabes como as palavras certas, no momento certo, podem abrir portas que pareciam permanentemente fechadas.

Esse conhecimento merece ser aplicado também à tua própria comunicação pública. Não só no gabinete, mas em palco, em sala de formação, nos media, nas apresentações académicas.

Porque quando um psicólogo comunica bem em público — quando consegue tornar a saúde mental acessível e relevante para uma audiência ampla — o impacto vai muito além do gabinete. Chega a pessoas que nunca procurariam terapia mas que ouviram algo numa palestra ou num podcast que mudou a forma como se vêem a si próprias.

Se és psicólogo ou terapeuta no Algarve e queres desenvolver a tua comunicação pública de forma estruturada, vem conhecer o Algarve Toastmasters Club. A primeira sessão é gratuita e sem compromisso.

As sessões realizam-se todas as quartas-feiras em Faro. Já ajudas os outros a encontrar as suas palavras — está na hora de trabalhares também as tuas.

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